Foto: Divulgação
O Aterro Sanitário Regional recebeu aproximadamente 6.504.23 toneladas de resíduos sólidos urbanos só em agosto de 2026, o equivalente a cerca de 200 toneladas por dia, considerando os 31 dias do mês. A unidade atende atualmente 28 municípios, entre atendimento direto e arranjos estabelecidos com outros consórcios públicos.A gestão, o acompanhamento e a fiscalização dos serviços de destinação final são de responsabilidade do Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba (Ecotres), enquanto a operação é realizada por uma empresa concessionária. Os volumes são controlados por pesagem e registrados nos boletins de medição de cada município.“Os quantitativos recebidos são acompanhados por meio de pesagem e registros individualizados, o que permite monitorar o volume encaminhado por cada município atendido pelo sistema regional”, explica Ana Carolina Labiapari, chefe do Departamento Ambiental do Ecotres.Em agosto, Conselheiro Lafaiete foi o município que mais enviou resíduos à unidade, com 2.525,46 toneladas. Barbacena aparece em segundo lugar, com 2.076,82 toneladas, seguida por Congonhas, com 1.077,62, e Ouro Branco, com 824,33 toneladas. Juntas, as quatro cidades responderam pela maior parcela do volume recebido no período.
Capacidade e vida útil do aterro
A licença ambiental vigente estabelece uma Capacidade de Aterramento Final (CAF) de 1.510.064 toneladas para o empreendimento, com validade até 28 de maio de 2034.A vida útil remanescente é acompanhada por avaliações técnicas que consideram a evolução das células, as cotas previstas em projeto, os volumes já aterrados e os levantamentos topográficos.O aterro iniciou suas atividades em 2014, oferecendo aos municípios consorciados uma alternativa regional para a destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos. Desde então, a abrangência do serviço foi ampliada com a entrada de novas cidades por meio de contratos e convênios.
Tipos de resíduos e destinação
A unidade recebe predominantemente resíduos sólidos urbanos provenientes da coleta convencional dos municípios atendidos. O licenciamento ambiental também contempla determinadas categorias de resíduos de serviços de saúde, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas.Outros materiais seguem fluxos específicos. Os resíduos da construção civil são encaminhados a uma unidade própria, enquanto pneus, eletroeletrônicos, pilhas, baterias e objetos volumosos podem ser recebidos em estruturas do Consórcio, como os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), conforme as características de cada material.
“Nem todo material recebido pelo sistema deve ser encaminhado diretamente ao aterramento. Cada tipo de resíduo precisa seguir a destinação adequada, conforme suas características e as exigências ambientais”, afirma a chefe do Departamento Ambiental.O controle de entrada inclui triagem na portaria para impedir o recebimento de materiais incompatíveis com a unidade. Os resíduos de serviços de saúde, por exemplo, devem cumprir regras próprias de acondicionamento, coleta, tratamento e destinação, não podendo ser simplesmente misturados ao lixo convencional.
De 30% a 35% dos resíduos têm potencial de reaproveitamento
Levantamentos utilizados pelo Ecotres indicam que aproximadamente 30% a 35% dos resíduos sólidos urbanos encaminhados ao aterro apresentam potencial de reaproveitamento ou reciclagem. “Esse índice demonstra que parte dos resíduos encaminhados ao aterro poderia ser aproveitada. Para isso, é fundamental ampliar a separação dos materiais na origem, incentivar a coleta seletiva e fortalecer o trabalho das associações de catadores”, destaca Ana Carolina.
A atuação do Consórcio também envolve educação ambiental, implantação e utilização de PEVs, ações do projeto EcoEscola, destinação específica dos resíduos da construção civil e iniciativas voltadas à reutilização e à valorização dos materiais.A proposta é intervir antes da disposição final, incentivando a redução da geração de resíduos, a separação adequada, a reutilização, a reciclagem e o tratamento sempre que houver viabilidade técnica.“Reduzir o volume encaminhado ao aterro é uma medida importante para valorizar os materiais que podem ser reaproveitados e contribuir para ampliar a vida útil da estrutura”, ressalta a entrevistada.
Como funciona a operação
Quando chegam ao aterro, os caminhões passam pelos procedimentos de controle e pesagem. Após a liberação, seguem para a frente operacional delimitada, onde os resíduos são descarregados, espalhados e compactados.O projeto prevê orientações sobre a altura e o avanço da operação, além do recobrimento dos materiais compactados. Conforme o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), a cobertura busca reduzir o tempo de exposição dos resíduos, minimizar odores, evitar a atração de animais e diminuir a geração de efluentes durante períodos chuvosos.A estrutura também conta com sistemas de impermeabilização, drenagem de chorume e de águas pluviais, captação de gases e monitoramento ambiental e geotécnico.
“O funcionamento do aterro segue procedimentos técnicos que incluem controle de entrada, compactação e cobertura dos resíduos, além de sistemas de drenagem e monitoramento ambiental”, detalha Ana Carolina.O licenciamento ambiental foi renovado em 2024 e permanece válido até 2034. A estrutura regularizada oferece condições para a disposição final dos resíduos que efetivamente necessitam de aterramento, com medidas destinadas à proteção do solo e dos recursos hídricos.
Destinação adequada pode beneficiar os municípios
A utilização de um sistema regularizado de disposição final também pode contribuir para a habilitação dos municípios ao ICMS Ecológico, no subcritério Saneamento Ambiental.Em Minas Gerais, esse mecanismo considera, entre outros requisitos, a existência de sistema ambientalmente regularizado de tratamento ou disposição final de resíduos que atenda a uma parcela mínima da população urbana. De acordo com o Ecotres, o aterro atende aos requisitos aplicáveis.
“A destinação ambientalmente adequada contribui para a proteção do meio ambiente e pode favorecer os municípios que atendem aos critérios previstos para o ICMS Ecológico”, pontua a chefe do Departamento Ambiental.A política do Consórcio busca, paralelamente, reduzir o envio de materiais que podem ser aproveitados, reservando a disposição final prioritariamente aos rejeitos.
Projetos e perspectivas futuras
O Ecotres prevê a continuidade do trabalho voltado à gestão regional integrada dos resíduos, com o objetivo de reduzir a dependência exclusiva do aterramento.“Nosso objetivo é avançar na gestão integrada, ampliando as alternativas de reaproveitamento e tratamento dos resíduos e reduzindo, sempre que possível, a quantidade destinada ao aterro”, afirma Ana Carolina.O Ponto de Entrega Voluntária (PEV) está apto a receber materiais recicláveis, pilhas, baterias, pneus, lâmpadas fluorescentes, isopor, espuma, metais e móveis usados — estes mediante agendamento.
Endereço: R. Lopes Franco, 880, Carijós, Conselheiro Lafaiete Contato: (31) 3721-5694
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Postado por Rafaela Melo, no dia 19/10/2026 - 16:16