Foto: Divulgação/ PMC
Antes de se tornar pesquisa, a história do Alto Maranhão fez parte da vida de Maria da Paz Pinto. Nascida no Sítio da Bombaça e criada no distrito, ela cresceu ouvindo relatos, conhecendo tradições, acompanhando celebrações religiosas e convivendo com pessoas que ajudaram a construir a identidade da comunidade. Aos 67 anos, aposentada da área educacional e habilitada em História da Arte Sacra, transformou essa ligação com o lugar em uma trajetória dedicada à preservação da memória.
Atualmente, dedica-se a estudos sobre história, cultura, memória e patrimônio, principalmente de Alto Maranhão, Congonhas e região. Seu trabalho reúne documentos, fotografias, relatos de moradores, informações sobre famílias, religiosidade, tradições e acontecimentos que marcaram a comunidade. “Alto Maranhão representa muito mais do que o lugar onde nasci, é a minha raiz, o espaço onde construí minhas primeiras referências de vida, de família, de fé e de pertencimento”, afirma.
Foi a convivência com o distrito que despertou seu interesse pela história. Desde cedo, percebeu que casas, caminhos, festas, famílias e relatos dos moradores mais antigos guardavam informações que poderiam se perder com o tempo. A partir daí, começou a pesquisar, ouvir moradores e reunir documentos e fotografias.
O trabalho se estendeu por 11 anos e resultou no livro Alto Maranhão: distrito berço de Congonhas, lançado em 2026, com 752 páginas. A publicação reúne histórias de famílias, personagens, religiosidade, tradições, documentos, fotografias e acontecimentos que ajudam a compreender a formação do distrito e sua relação com Congonhas e a região do Alto Paraopeba.

Mais do que reunir datas e fatos, a autora procurou registrar as pessoas que fizeram parte dessa trajetória. “Gostaria que o leitor encontrasse muito mais do que informações históricas. Espero que encontre pessoas, famílias, histórias de vida, sentimentos, tradições, fé, cultura e identidade”, explica.
O livro é resultado de uma trajetória que começou antes da publicação. Em 2017, lançou Geraldo Lucindo: fé, sonho e trabalho, dedicado à história de seu pai. Também participou das edições de Lafaiete em Prosa, em 2023 e 2025, do livro Congonhas: Cultura, Arte e Fé – Antologia, Volume II, da Academia de Ciências, Letras e Artes de Congonhas (ACLAC), em 2025, e do projeto Que Rua é Essa?, também da ACLAC, lançado em 2026.
A atuação também chega às escolas, com palestras sobre “Patrimônio, Cidadania e Pertencimento” e oficinas sobre patrimônio material e imaterial. O objetivo é aproximar crianças e jovens da história e da cultura de suas comunidades.
“Quando conhecemos a história de um lugar, passamos a enxergá-lo com outros olhos. Uma igreja deixa de ser apenas uma construção; uma rua deixa de ser apenas um caminho; uma festa deixa de ser apenas uma celebração. Tudo passa a ter significado”, explica.
No Alto Maranhão, essa história permanece presente em locais como as ruínas da casa do Capitão Zeca Moreira, as ruínas da antiga cadeia, a Fonte Nossa Senhora da Ajuda e a Capela de Nossa Senhora da Ajuda, referência da arquitetura barroca. Para a pesquisadora, esses espaços são registros materiais de diferentes períodos da comunidade. “Esses lugares não devem ser vistos apenas como vestígios de um tempo distante, mas como documentos vivos que ajudam a compreender a organização social, a vida cotidiana, a religiosidade, as relações de poder e a importância que o Alto Maranhão alcançou ao longo de sua história”, destaca.
O trabalho também representa uma forma de reconhecer homens e mulheres que contribuíram para a formação de Congonhas e cujas histórias muitas vezes permanecem guardadas apenas na memória das famílias.
Ao registrar a história do lugar onde nasceu, Maria da Paz também preserva parte da própria trajetória. “É uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma grande alegria. Eu me sinto privilegiada por poder contribuir para o registro de uma história à qual pertenço”, afirma.
Depois de mais de uma década dedicada a pesquisas, o desejo é que esse trabalho continue servindo de fonte para as próximas gerações e incentive outras pessoas a preservar suas próprias histórias. “Gostaria de deixar um legado de memória, de valorização das nossas raízes e de amor pela história”, resume. E completa: “Meu maior desejo é que aquilo que pertence à memória de um povo não se perca com o passar do tempo.”
Por: Secretaria de Comunicação / Prefeitura de Congonhas
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Postado por Maria Teresa, no dia 30/09/2026 - 13:43