Foto: Rafaela Melo
Os estudantes do napoleão reis Matheus, Alice, Natália e Vinícius consideraram positiva a restrição ao uso de celulares nas escolas
A restrição ao uso de celulares nas escolas, prevista pela Lei Federal nº 15.100/2025, tem alterado a rotina das instituições de ensino. Em entrevistas ao Jornal CORREIO, diretores de escolas públicas e particulares apontaram avanços na concentração dos alunos, no convívio presencial e na participação em sala de aula. Eles também destacam que a adaptação à medida depende da parceria entre escola e família.
Para a diretora do Colégio Potência, Luiza Marilaque de Oliveira Alves, a regulamentação contribuiu para fortalecer o ambiente de aprendizagem. Segundo ela, a escola registrou aumento da participação às aulas, melhora na atenção e redução de situações relacionadas ao uso inadequado das redes sociais:
"Percebemos maior participação dos alunos às aulas, aumento das interações presenciais e melhora na atenção durante as atividades pedagógicas. O foco ampliou e os estudantes estão mais envolvidos com o processo de aprendizagem."
Na escola municipal Napoleão Reis, a diretora Rosângela da Silva Eugênio afirmou que a legislação reforçou uma prática já defendida pelos educadores e trouxe respaldo para a organização do ambiente escolar:
"A escola voltou a ocupar seu papel como espaço de convivência. Os alunos conversam mais, participam das atividades e os professores conseguem conduzir as aulas com menos interrupções."
Já a diretora da Escola Municipal Doriol Beato, Maria Cristina de Moura Fernandes Melo, destacou que a unidade já restringia o uso dos aparelhos antes da lei e que a nova legislação fortaleceu esse trabalho:
"A lei deu respaldo à equipe pedagógica e consolidou uma prática que já adotávamos. Também observamos redução dos conflitos relacionados ao uso do celular e dos casos de cyberbullying."
As três gestoras informaram que o uso do aparelho continua permitido quando possui finalidade pedagógica ou em situações previstas na legislação, como questões de saúde e acessibilidade.
Alunos aprovam a mudança
Entre os estudantes, a avaliação também é positiva. Alice Maria Nascimento Dias, de 18 anos, acredita que a restrição favoreceu a convivência e reduziu a dependência do celular. "Antes, muita gente passava o recreio no celular. Hoje conversamos mais e usamos o celular apenas quando há finalidade pedagógica.", disse
Vinícius Rafael Silva Pereira, de 19 anos, reconheceu que o aparelho prejudicava sua atenção durante as aulas:
"Eu ficava muito tempo no celular. Depois da lei, passei a prestar mais atenção e ficou mais fácil acompanhar as explicações dos professores."
Matheus Oliveira de Assis, de 17 anos, afirmou que a medida contribuiu para reduzir a dispersão. "O celular criava uma barreira entre a gente. Agora conseguimos conversar mais e acompanhar melhor o que está sendo ensinado.", explicou.
Natália Maria de Carvalho Pereira, também de 17 anos, disse que a adaptação ocorreu com o tempo e trouxe resultados na sua rotina escolar. "No começo foi estranho, mas hoje percebemos que conseguimos prestar mais atenção e aproveitar melhor os momentos de convivência com os colegas.", observou.
Apesar dos resultados apontados pelas escolas, diretores e estudantes concordam que a educação digital e o envolvimento das famílias continuam sendo fundamentais para o cumprimento da legislação e para o uso responsável da tecnologia.
O que muda com a Lei nº 15.100/2025
A Lei Federal nº 15.100/2025 regulamenta o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos portáteis por estudantes da educação básica em escolas públicas e privadas.
Veja as principais regras:
l Uso proibido durante as aulas, recreios e intervalos.
l Uso permitido em atividades pedagógicas, com autorização e orientação do professor.
l Exceções para casos de saúde, acessibilidade, inclusão, emergência e outras situações previstas na legislação.
l Escolas devem promover ações de educação digital e orientação sobre o uso responsável da tecnologia.
l Instituições de ensino também devem desenvolver estratégias de prevenção ao uso excessivo de telas e oferecer acolhimento a estudantes em sofrimento psíquico relacionado ao ambiente digital.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 15/08/2026 - 16:01