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A intensa onda de calor que atinge diversos países da Europa reacendeu o debate sobre os impactos das mudanças climáticas e os desafios para adaptação diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. Nas últimas semanas, países como Alemanha, Espanha, França, Portugal e Itália registraram temperaturas superiores a 40°C na sombra, provocando impactos sobre o sistema de saúde, transportes, escolas e infraestrutura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o episódio já está associado a mais de 1,3 mil mortes no continente.
Além da urgência em cortar emissões, não podemos mais esperar as emergências para agir. Precisamos de políticas e estratégias de adaptação que reduzam a vulnerabilidade das cidades, da população e dos ecossistemas diante de um clima cada vez mais hostil, principalmente na preservação de reservas e matas urbanas nos arredores das cidades.
Em Lafaiete, por exemplo, há poucas áreas verdes na área urbana. É possível destacar um grande terreno na divisa dos bairros Santo Antônio, Jardim América e Angélica, outra entre o BNH (Campo Alegre) e o bairro de Lourdes, mais uma que faz limite com os bairros Queluz e Triângulo, atrás do cemitério Nossa Senhora da Conceição e outras menores no bairro Santa Efigênia 2 e Ouro Verde, além de uma reserva no Paulo VI, onde se localiza o parque florestal Eurico de Figueiredo. A maioria dessas áreas pertence a particulares e vem sendo degradadas e invadidas aos poucos.
Segundo especialistas ouvidos pelo Jornal CORREIO, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, com impactos cada vez mais severos. “Estamos às vésperas de um possível Super El Niño, que pode trazer impactos agudos ao Brasil: secas e risco de queimadas na Amazônia, secas no Nordeste e no Centro-Oeste; ondas de calor e também chuvas intensas no Sudeste e no Sul, com risco de novas enchentes e deslizamentos, como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e Juiz de Fora e Ubá em fevereiro deste ano.
Além dos impactos sobre a saúde, as altas temperaturas têm favorecido a ocorrência de incêndios florestais. França, Espanha e Portugal registram grandes focos de fogo impulsionados pela combinação entre calor intenso, baixa umidade e ventos fortes. Juntos, os incêndios já atingiram cerca de 17 mil hectares de vegetação — área equivalente a aproximadamente 24 mil campos de futebol; provocaram a retirada de moradores e mobilizaram milhares de bombeiros.
Embora o Brasil esteja no inverno, especialistas alertam que o país não está isolado dessa realidade. Segundo o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para o segundo semestre indica alta probabilidade de temperaturas acima da média histórica em grande parte do Centro-Norte do país. O documento aponta ainda probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño, pelo menos, até o início de 2027. Caso o cenário se confirme, o fenômeno poderá favorecer a ocorrência de ondas de calor mais intensas, estiagens prolongadas e incêndios florestais em diferentes regiões do país.
A preocupação com os impactos do calor extremo também já mobiliza o setor da saúde. No dia 30 de junho, o Ministério da Saúde lançou um painel nacional de monitoramento, ferramenta que reúne informações sobre riscos relacionados às altas temperaturas e apoia estados e municípios na adoção de medidas de prevenção e resposta. A iniciativa acompanha um cenário de maior probabilidade de eventos extremos nos próximos meses, indicado pelas projeções climáticas mais recentes.
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Postado por Maria Teresa, no dia 10/08/2026 - 07:00