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A natureza não se cansa de dar sinais aos seres humanos de que é preciso mudar, se preparar para o futuro, pois o pior está por vir. Juiz de Fora e Ubá, na zona da mata de Minas, foram devastadas em fevereiro por temporais históricos, assim como o Sul do país nos anos de 2024. Desde o dia 18 de junho, a França contabiliza ao menos 40 mortes por afogamento, fruto da busca desesperada de cidadãos por alívio em rios e mar diante de temperaturas sufocantes. No dia 23, o país registrou a madrugada mais quente de sua história.
O cenário atual encerra o ceticismo, a expectativa de dias melhores e consolida as tragédias climáticas mundo afora como o “novo normal”. A recorrência e intensidade das ondas de calor na Europa, assim como no Brasil, sinalizam que a humanidade ultrapassou o limite estabelecido pela natureza, o chamado ponto de não retorno das mudanças climáticas, e falhou ao cumprir as metas do Acordo de Paris, que pretendia limitar o aquecimento global a níveis bem abaixo de 2º C em relação aos níveis pré-industriais.
Agora, a discussão não gira mais em torno de como conter o aumento das temperaturas globais, mas de como gerenciar as consequências de um ecossistema já desestabilizado. Os números dão dimensão ao que os termômetros apenas sugerem. A onda de calor de 2003 matou mais de 70 mil pessoas na Europa em questão de semanas, um marco que, à época, parecia absurdo. Duas décadas depois, em 2026, eventos de intensidade equivalentes tornam-se rotineiros e aproxima nações preparadas para o tempo frio, do colapso operacional: hospitais lotados, serviços de emergência saturados, redes elétricas que cedem sob a alta demanda de ar condicionado que, por sua vez, aquece ainda mais as cidades ao redor do mundo.
Diante de sinais tão claros e pontuais, a reação dos governos, seja lá na Europa ou aqui no Brasil, é lenta e na contramão da realidade. Por outro lado, é preciso lembrar que o Brasil entra neste segundo semestre sob a ameaça de um Super El Ninõ, com o Sul e Sudeste exposto a chuvas devastadoras e o Norte e Nordeste caminhando para secas severas. Se o calor europeu não foi suficiente para acelerar o planejamento preventivo, que as imagens de Paris sufocada e de Juiz de Fora destruída sirvam ao menos para lembrar que o clima não aguarda o calendário político. (Com informações do Estado de Minas).
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Postado por Maria Teresa, no dia 06/07/2026 - 19:36