Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Segundo o levantamento, a principal razão para que pais e responsáveis optem por não dar um celular aos filhos deixou de ser o custo do aparelho e passou a ser a preocupação com privacidade e segurança
Pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2016, o número de crianças brasileiras de 10 a 13 anos que possuem telefone celular apresentou queda. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2025, 55,2% das crianças dessa faixa etária tinham aparelho próprio, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Segundo o levantamento, a principal razão para que pais e responsáveis optem por não dar um celular aos filhos deixou de ser o custo do aparelho e passou a ser a preocupação com privacidade e segurança. Esse motivo foi citado por 32% dos entrevistados, um crescimento de 7,8 pontos percentuais em comparação com 2024 e quase o dobro do registrado em 2022. De acordo com o IBGE, a faixa etária de 10 a 13 anos foi a única que apresentou redução na posse de celulares em 2025. Nas demais idades, o uso dos aparelhos continuou crescendo, alcançando 89,8% da população brasileira. O acesso à internet também apresentou uma pequena queda entre as crianças dessa idade, passando de 84,9% para 84,4%, enquanto nas demais faixas etárias houve estabilidade ou aumento.
Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, o resultado reflete uma preocupação crescente das famílias com a exposição de crianças nas redes sociais e com os riscos do ambiente digital. Segundo ele, a restrição ao uso de celulares nas escolas, implementada em 2025, também pode ter influenciado a mudança de comportamento dos responsáveis. O levantamento mostra ainda que a realidade entre os idosos é oposta. Em 2025, 74,5% das pessoas com mais de 60 anos utilizavam a internet, percentual 4,4 pontos acima do registrado em 2024 e mais de 29 pontos superior ao observado em 2019. A posse de celulares nessa faixa etária também cresceu, passando de 78,3% para 80,3%.
Entre os idosos que ainda permanecem desconectados, o principal obstáculo apontado é a dificuldade para utilizar celulares e a internet. Apesar disso, o avanço da digitalização de serviços tem incentivado um número cada vez maior de brasileiros a se conectarem. Em 2025, 74,2% dos usuários da internet utilizaram plataformas bancárias ou financeiras online, enquanto o acesso a serviços públicos pela internet chegou a 41,1%. Pela primeira vez, mais da metade da população conectada também afirmou realizar compras ou contratar serviços pela internet. Os dados reforçam uma mudança no comportamento das famílias brasileiras, que passaram a priorizar a segurança digital das crianças ao mesmo tempo em que a população idosa amplia sua inclusão tecnológica para acompanhar as transformações do cotidiano.
Tags: IBGE; celular para crianças; segurança digital; internet no Brasil; tecnologia e educação
Fonte: Agência Brasil.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 02/07/2026 - 13:52