Foto: Prefeitura de Congonhas/ Daniel Silva/Carol Lacerda
Entre o aroma do café passado na hora e o cheiro do biscoito de queijo saindo do forno, a Romaria de Congonhas foi tomada, neste domingo, dia 17, pela 26ª edição do Festival da Quitanda. O evento, promovido pela Prefeitura de Congonhas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da FUMCULT, transformou o espaço em um retrato vivo da culinária e das tradições mineiras.
As barracas espalhadas pelo local reuniram receitas transmitidas entre gerações, preparos artesanais e releituras que mantêm viva a identidade gastronômica do estado. Ao longo do percurso, visitantes encontraram quitandas, doces e produtos típicos que reforçam a tradição do interior de Minas Gerais.
Entre os destaques, a participante Juraci de Barros, que há 18 anos integra o festival, apresentou uma receita inovadora: o bolo feito com chá de congonha. A criação une memória afetiva e identidade local. “Eu gosto de manter a tradição, mas também de criar coisas novas sem perder nossa essência. O chá de congonha faz parte da história da cidade e transformar isso em quitanda é uma forma de valorizar nossa cultura”, afirmou.
Já Alice Carvalho participa desde a primeira edição e mantém viva a tradição familiar ao reproduzir receitas herdadas da avó. “Essas receitas vieram da minha avó e da minha mãe. A gente aprende desde criança e hoje sinto orgulho de continuar isso aqui. É emocionante ver as pessoas provando e lembrando da própria infância”, disse.
O festival também atraiu visitantes de diversas regiões, incluindo turistas de cidades mineiras e de outros estados. Moradora de Conselheiro Lafaiete há nove meses, Débora Valeriano conheceu o evento pelas redes sociais e destacou a experiência. “É tudo muito tradicional, muito verdadeiro. Dá para perceber o cuidado em manter viva essa cultura de geração para geração. Já provei várias quitandas e achei maravilhoso”, relatou.
Um dos pontos mais visitados foi o tradicional Armazém, que reuniu produtos típicos como doces caseiros, pimentas artesanais, queijos, fubá, linguiça, melado de cana e café passado na hora.
O festival também funcionou como um grande mapa gastronômico de Minas Gerais, reunindo sabores de cidades como Sabará, Itabirito, São Gonçalo, Lagoa Dourada, Piranga, Ouro Branco, Nova Lima, Entre Rios de Minas, Santa Bárbara do Tugúrio, Belo Vale, Itaverava, Conselheiro Lafaiete e Senhora dos Remédios.
Além da gastronomia, a programação artística reforçou o clima de celebração da cultura mineira. O domingo começou com apresentação do Grupo Alegria Sertaneja, seguido pelo Grupo de Catira Solas de Ouro, que uniu dança e música tradicional. O público também acompanhou o espetáculo do grupo Viola ao Vento, com modas de viola e repertório típico do interior. Encerrando as apresentações, Mayara Rodriguez subiu ao palco com show sertanejo.
O Festival da Quitanda também promoveu o tradicional Concurso de Quitandas, que reconhece o trabalho de produtores e mantém viva a economia criativa ligada à gastronomia artesanal. Os jurados avaliaram não apenas o sabor, mas também tradição, criatividade e identidade cultural das receitas.
A representante da Empresa Mineira de Comunicação, Téssia Gonçalves, participou pela primeira vez como jurada e destacou a relevância do evento. “Estou muito feliz por participar deste festival tão maravilhoso. Ele cumpre a missão de aproximar o homem do campo da cidade, valorizando produtos e produtores rurais”, afirmou.
No Comércio Especializado, o 1º lugar ficou com a “Tortilha de Batata Doce”, dos Produtos Bombaça, comunidade rural do Alto Maranhão. Na categoria Quitanda Regional, o primeiro lugar foi para o “Rocambole Olho de Sogra”, de Lagoa Dourada. O prêmio de Melhor Estande ficou com a “Divina Gula”, de Mércia Regina Silva.
Já na Prata da Casa, voltada às quitandas de Congonhas, o 1º lugar foi para Francielle Resende Dias, com o casadinho de milho verde. Francielle, bicampeã do concurso, destacou o processo de criação da receita. “Foi muito especial. Testei algumas receitas até chegar ao biscoito casadinho, com massa amanteigada e recheio de milho verde. O resultado foi esse prêmio”, afirmou.
Durante o evento, também foi destacada a expectativa pelo registro do ofício das quitandeiras de Minas Gerais como patrimônio cultural do Brasil pelo Iphan. Segundo a historiadora Juliana Bonomo, o processo representa um avanço na valorização da cultura mineira. “A patrimonialização garante políticas públicas de salvaguarda e reconhecimento do papel das quitandeiras na formação cultural de Minas Gerais e do Brasil”, explicou. O Festival da Quitanda reforçou, mais uma vez, seu papel como espaço de preservação cultural, valorização da gastronomia tradicional e fortalecimento da identidade mineira.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 18/05/2026 - 13:24