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Lafaiete já supera 2025 e registra oito homicídios em menos de seis meses

Somente em abril e maio, cidade registrou sete mortes violentas e iguala o total de todo o ano passado



Fotos: Arquivo Jornal CORREIO


 

Conselheiro Lafaiete enfrenta um cenário preocupante em 2026. O município já contabiliza oito homicídios, número superior ao total registrado em todo o ano de 2025, segundo o Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, quando foram seis mortes violentas. O dado chama atenção, principalmente, pelo curto intervalo de tempo: sete desses crimes ocorreram em menos de um mês, evidenciando uma escalada recente da violência.

O comparativo dos últimos anos mostra uma trajetória de queda até 2025, seguida agora por uma reversão alarmante em 2026. Em 2023, foram registrados 15 homicídios. Em 2024, o número caiu para 9. Já em 2025, houve nova redução, com 6 casos ao longo de todo o ano. No entanto, em 2026, o município já soma 8 homicídios, superando o ano anterior ainda no primeiro semestre.

Outro fator que preocupa é a concentração das ocorrências. Em 2026, um homicídio foi registrado em março, quatro em abril e três em maio. Dessas ocorrências, sete aconteceram em um intervalo inferior a 30 dias — o mesmo total registrado durante todo o ano passado.

A sequência de crimes teve início na madrugada do dia 3 de março, no bairro Santo Agostinho. A Polícia Militar foi acionada por uma adolescente de 14 anos, que informou que sua mãe e seu irmão, de 9 anos, estavam passando mal. A criança foi encontrada em parada cardiorrespiratória, não resistiu às manobras de reanimação e teve o óbito confirmado. A mulher apresentava quadro compatível com possível intoxicação e foi encaminhada ao Hospital e Maternidade São José. A perícia realizou os trabalhos no imóvel, e a mulher recebeu voz de prisão em flagrante, em tese, pelo crime de homicídio. O caso segue sob investigação.

O advogado criminalista Camilo Prates analisou o cenário de Lafaiete

Já no dia 5 de abril, um jovem de 22 anos, identificado como Vinícius, morreu após ser baleado no pescoço durante um desentendimento em uma casa de eventos na rua Lopes Franco, no bairro Carijós. Conforme a Polícia Militar, a confusão aconteceu dentro da casa de eventos Baccus e terminou quando um dos envolvidos efetuou um disparo, atingindo o pescoço da vítima. Após a ocorrência, foi realizada uma operação conjunta com equipes de diferentes companhias e apoio do serviço de inteligência. Os suspeitos foram localizados em um imóvel no bairro Siderurgia, em Ouro Branco. No local, três homens, de 20, 23 e 24 anos, foram abordados e detidos por possível participação no crime.

No dia 8 de abril, um idoso de 68 anos foi encontrado morto dentro de casa, no bairro Resende, com lesões no rosto. O imóvel estava aberto, mas nenhum objeto foi levado.

Na madrugada do dia 25 de abril, Lindomar Alves dos Santos, de 29 anos, foi encontrado morto na região central, com perfurações no crânio e nas costas, após se envolver em uma confusão.

O caso mais recente, até então, havia sido registrado no dia 29 de abril, no bairro São João. Leonardo Miranda Pinto Amorim, de 29 anos, foi atingido por disparos no abdômen e no braço. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

A sequência foi agravada por um duplo homicídio ocorrido na noite do dia 1º de maio, na MG-482, no bairro Gigante. Arlei Juvenal, de 52 anos, e Leonan de Souza e Castro, de 57 anos, foram mortos por volta das 22h45, nas proximidades do Condomínio Estiva, sentido Itaverava. De acordo com as primeiras informações, os dois estavam em um veículo Ford Ka quando foram surpreendidos por disparos de arma de fogo. No local, foram encontradas cerca de 40 cápsulas de munição.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que as investigações relacionadas aos homicídios registrados recentemente seguem em andamento. Segundo a instituição, já houve avanços relevantes, sempre em articulação com o Poder Judiciário e o Ministério Público. No entanto, por se tratarem de investigações em curso, detalhes não podem ser divulgados para não comprometer as diligências. Já a Polícia Militar vem intensificando ações preventivas, como a Operação Guardião da Ordem, voltada ao combate a crimes contra a vida, desordem pública e fiscalização de bares e adegas.

O que diz o especialista

Diante da sequência de homicídios em Lafaiete, o advogado criminalista Camilo Prates, especialista em Direito Penal, Processo Penal e Criminologia, e delegado de prerrogativas da OAB/MG, analisou o cenário e destacou que picos de violência nem sempre indicam, de forma imediata, um aumento estrutural da criminalidade.

Segundo ele, episódios concentrados em curto período podem estar relacionados a fatores pontuais, como conflitos entre grupos, retaliações e até falhas momentâneas na atuação do Estado. “É necessário um estudo mais aprofundado dos índices e estatísticas para se chegar a uma conclusão concreta”, afirma.

O especialista explica que cidades de porte médio, como Conselheiro Lafaiete, tendem a enfrentar esse tipo de oscilação. Isso ocorre, entre outros motivos, pela expansão urbana e populacional, além da influência de municípios vizinhos. Ainda assim, ele pondera que o nível de violência não se compara ao de grandes capitais, embora os picos causem maior impacto nas estatísticas e na percepção da população.

Do ponto de vista da Criminologia, Camilo Prates aponta fatores estruturais que contribuem para a criminalidade, como desigualdade social, desemprego, urbanização desordenada e dificuldades de acesso à educação, lazer e serviços básicos. Ele também ressalta que a repetição de características entre crimes pode indicar a atuação de grupos criminosos organizados no município.

Entre as medidas imediatas que podem ser adotadas, o especialista cita o reforço do policiamento ostensivo em áreas de risco, operações baseadas em inteligência, fortalecimento das investigações, além de investimentos em iluminação pública e monitoramento.

No entanto, ele destaca que ações repressivas, por si só, não são suficientes. Políticas públicas nas áreas de educação, saúde e lazer são fundamentais para quebrar o ciclo da criminalidade”, explica.

Camilo Prates também ressalta o papel estratégico do município, especialmente em ações como melhoria da iluminação, ocupação de espaços públicos e atuação integrada com as forças de segurança. Ainda assim, lembra que a responsabilidade principal pela segurança pública é dos estados e da União, conforme previsto na Constituição Federal.

Por fim, o especialista reforça a importância da atuação conjunta entre as polícias civil e militar, e demais órgãos. Segundo ele, a integração permite o compartilhamento de informações, maior eficiência nas operações e respostas mais rápidas no combate à criminalidade.




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Postado por Maria Teresa, no dia 17/05/2026 - 10:53


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