Foto: Rafaela Melo
O tempo tratou de confirmar o que o Jornal CORREIO apontou ainda no nascedouro da proposta. Em poucos dias, a implantação da chamada “Onda Verde”, em Lafaiete, tem se mostrado um passo decisivo rumo à organização de uma cidade historicamente marcada pela inoperância das leis e pela permissividade no trânsito.
Durante anos, o que se viu nas ruas foi a prevalência do improviso. Motoristas agindo por conta própria, desrespeito sistemático à sinalização e pedestres à própria sorte, expostos aos riscos do trânsito e de suas próprias ações, criaram um cenário que naturalizou o erro e banalizou o risco. Era necessário mudar o jogo com urgência, adotando uma visão técnica.
Ao trazer sincronização aos semáforos da avenida Prefeito Telésforo Cândido de Resende e das ruas do entorno, o poder público impõe, ainda que tardiamente, a lógica mais básica da convivência urbana. Os primeiros relatos confirmam a mudança. Há melhora no fluxo, redução de retenções e mais previsibilidade. O trânsito começa a perder seus ares de improviso e, passo a passo, tende a deixar de ser um campo de disputa para se tornar um espaço de circulação.
Não é pouco. Em cidades onde o descontrole se enraíza, qualquer avanço na direção da ordem já representa ganho concreto na qualidade de vida. Mas é preciso dizer o óbvio, que por vezes se ignora: tecnologia não substitui comportamento. A “Onda Verde” só cumprirá integralmente sua função se houver adesão coletiva às normas. O risco de desrespeito à velocidade, já apontado por pedestres ouvidos por este semanário, acende o sinal amarelo. Sem fiscalização efetiva e educação contínua, a inovação pode ser deturpada pelo mesmo espírito de indisciplina que historicamente compromete o trânsito local.
Ainda assim, o saldo é positivo e necessário. Os novos semáforos organizam e humanizam o trânsito, criando condições para deslocamentos menos estressantes e mais seguros. Em uma cidade frequentemente descrita por seus próprios moradores como suja, mal cuidada e abandonada, qualquer iniciativa que aponte para ordem e respeito precisa ser reconhecida como avanço civilizatório.
Que não pare por aí.
Se foi possível intervir no trânsito, um dos setores mais caóticos do município, não há justificativa para a inércia em outras áreas igualmente degradadas. Mobilidade urbana, limpeza, conservação e planejamento exigem o mesmo compromisso que agora começa a se esboçar nas ruas centrais.
A “Onda Verde” não resolve Lafaiete, mas sinaliza, com clareza, que é possível começar a resolvê-la.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 04/05/2026 - 19:31