Foto: Edmilson Dutra
Em Lafaiete, cerca de três ocorrências de violência doméstica são registradas diariamente. Em 2025, a cada seis horas uma mulher era vítima de feminicídio no país e a cada três horas e meia, uma mulher era assassinada. Também foram contabilizados 221 estupros por dia.
Em Conselheiro Lafaiete, durante o ano de 2025, foram registradas 1.093 ocorrências de violência doméstica. Em 2026, até o fechamento do mês de março, já foram contabilizados 293 casos. A média mensal no município varia entre 90 e 100 registros, o que representa aproximadamente três situações por dia. No ano passado, a guarnição realizou 739 visitas a vítimas desse tipo de violência. Neste ano, até o mês de março, foram registradas 27 visitas.
As informações foram divulgadas na terça-feira, dia 14, pelos integrantes da Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, sargento André Jackson Morais e soldado Sara July Dias Valentim, em entrevista à jornalista Rafaela Melo, no programa Correio Entrevista.
Diante desse cenário, a Rádio Patrulha tem intensificado o acompanhamento das vítimas no município. De acordo com o sargento Jackson, a atuação começa a partir do monitoramento das ocorrências classificadas conforme o grau de risco. “Utilizamos um sistema chamado SIGOAP, no qual constam registros de violência doméstica de todo o estado. A partir dessas informações, realizamos o primeiro contato com a vítima, que pode optar ou não pelo acompanhamento”, explica.
Quando há adesão, a vítima passa a ser acompanhada pela equipe, com o encaminhamento para serviços como Centro de Referência da Mulher, Delegacia Especializada e apoio psicológico e jurídico. Em situações mais graves, há possibilidade de acolhimento em local sigiloso. “Se houver risco à vida, a vítima pode ser encaminhada para uma casa-abrigo em Belo Horizonte, cujo endereço é sigiloso”, afirma. O acompanhamento também envolve o autor da violência, que passa a ser monitorado, sem prazo fixo para encerramento. “Se o risco continua, encaminhamos relatório ao Ministério Público, que pode solicitar prisão preventiva”, destaca.
Mudança de protocolo
De acordo com os militares, um dos avanços recentes está na mudança do protocolo de atendimento. Todas as vítimas que registram ocorrência passam a receber uma nova visita em até 72 horas. “Essa segunda visita é feita, de preferência, pelos mesmos militares, para evitar que a mulher tenha que relatar novamente toda a situação”, explica a soldado Sara. Caso sejam identificadas novas ameaças ou perseguições, a patrulha assume o caso em uma terceira etapa, com acompanhamento contínuo e inclusão no protocolo de monitoramento.
A legislação diferencia os crimes. O feminicídio ocorre quando a mulher é assassinada em razão de gênero, geralmente em contexto de violência doméstica ou discriminação, enquanto o homicídio se refere à morte de uma pessoa por qualquer motivo. Em relação às medidas protetivas, o descumprimento deve ser comunicado imediatamente. “Orientamos que, em caso de violação, a vítima ligue para o 190. Se não houver flagrante, a ocorrência é registrada e encaminhada ao Judiciário”, informam.
Perfil da violência
A violência doméstica não se restringe a agressões físicas e atinge diferentes contextos. “A violência psicológica está presente na maioria dos casos”, ressaltam os policiais. O problema atravessa todas as classes sociais e pode ocorrer em diferentes relações, incluindo vínculos familiares e convivência. Entre os fatores que dificultam a denúncia estão o medo, a dependência emocional ou financeira e a pressão social.
Diante de situações de risco, a recomendação é priorizar a segurança. A vítima deve procurar abrigo, evitar permanecer no mesmo ambiente que o agressor, se isolar em um local seguro ou sair para pedir ajuda, acionando a polícia sempre que necessário.
Prevenção e rede de apoio
Além do atendimento direto, a patrulha também atua na prevenção, com palestras, campanhas e ações educativas voltadas a diferentes públicos. “Trabalhamos com crianças, adolescentes, mulheres e também homens, para conscientizar e evitar que a violência seja naturalizada”, afirmam. Segundo a equipe, o enfrentamento depende da atuação conjunta de diferentes órgãos. “É uma rede formada pela Polícia Militar, Centro de Referência da Mulher, Delegacia Especializada, Ministério Público e Poder Judiciário. É um trabalho integrado”, concluem.
Saiba como agir em caso de violência
Em Conselheiro Lafaiete, o atendimento pode ser feito na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, localizada na Rua Narcísio Júnior, 390, bairro Campo Alegre dos Carijós. Telefone: (31) 3769-1227.
Outra alternativa é o Centro de Referência da Mulher, na Rua Orival Albuquerque, 26, bairro Campo Alegre. Contato: (31) 3764-9805 — ramal 1060.
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Postado por Maria Teresa, no dia 26/04/2026 - 13:51