Foto: Divulgação/PMC
Congonhas sediou, neste fim de semana, a 1ª Festa Mineira da Culinária Quilombola (CUQUI), reunindo 26 comunidades quilombolas de diversas regiões de Minas Gerais, incluindo duas do próprio município. O evento foi realizado na Romaria e promoveu a valorização da cultura, da memória e das tradições afro-brasileiras, além de incentivar o desenvolvimento do afroturismo como alternativa de geração de renda.
A iniciativa foi promovida pela Prefeitura de Congonhas, por meio das secretarias de Cultura e Turismo, em parceria com o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes). O município possui três comunidades quilombolas: Campinho e Santa Quitéria, já certificadas pela Fundação Cultural Palmares, e Barra de Santo Antônio, em processo de certificação.
Participaram do encontro comunidades dos Vales do Piranga, Jequitinhonha, Rio Doce e da região Centro-Oeste do estado. A programação começou no sábado com visita mediada ao Museu de Congonhas e ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
Antes da realização da festa, as 26 comunidades desenvolveram pesquisas sobre suas próprias histórias, sob coordenação do Cedefes. O resultado foi reunido em livretos distribuídos durante o evento. O lançamento das publicações ocorreu em dezembro do ano passado, em Belo Horizonte, quando também foi definida a realização da primeira edição em Congonhas.
Durante a festa, o público teve acesso a pratos tradicionais preparados com receitas transmitidas de geração em geração, com forte influência africana. Entre os produtos estavam comidas típicas, doces, quitandas, rapaduras, cachaças e licores artesanais, além de artesanato, como balaios, peneiras e bordados. A feira também contou com oficinas culinárias abertas ao público.
Uma das oficinas foi conduzida por representantes da comunidade quilombola Chacrinha dos Pretos, de Belo Vale, com mais de 300 anos de história. A cozinheira Maria Aparecida Dias, conhecida como Tuquinha, apresentou receitas elaboradas com ingredientes tradicionais, como umbigo de banana, ora-pro-nóbis, taioba e broto de bambu. Entre os pratos preparados, o Zungu, que conquistou o público e precisou ser produzido duas vezes por dia.
Além das atividades gastronômicas, a programação incluiu oficinas voltadas à geração de renda. A turismóloga Lupri do Carmo, fundadora da Nzinga Turismo, apresentou experiências de turismo comunitário e iniciativas de comercialização de produtos quilombolas.
Outro destaque foi o lançamento do livro “Liberdade, Negrada! Dois séculos de resistência à escravidão na cidade dos profetas e região”, de Ricardo Ferreira Ribeiro e Silnara Kelly Santos Faustino. A obra reúne pesquisas sobre a presença e a contribuição da população negra na formação histórica de Congonhas e região.O evento também contou com exibição de documentários, exposições artísticas e apresentações culturais de diversas comunidades quilombolas, incluindo danças, música, folia de reis e manifestações tradicionais.
Para Geraldinho da Costa, presidente da Associação Quilombola do Campinho, a festa representa um resgate da cultura e da memória das comunidades. Já o gerente de Capacitação para o Turismo de Congonhas, Matheus Veloso, destacou que o encontro fortalece o afroturismo e amplia a visibilidade das comunidades locais.A programação foi encerrada com apresentações culturais, reunindo grupos de Congonhas e de outras cidades mineiras, consolidando o evento como espaço de troca de saberes, fortalecimento cultural e incentivo à economia das comunidades quilombolas.
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas
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Postado por Rafaela Melo, no dia 14/04/2026 - 10:20