Foto: Arquivo Jornal CORREIO
O perfil das vítimas segue um padrão nacional. A maior parte dos feridos está na faixa de 18 a 39 anos
A morte recente de um jovem motociclista em Lafaiete reforça um cenário que os números já indicavam. Em 2025, a cidade registrou 1.928 acidentes de trânsito, com 414 vítimas, sendo nove fatais. Entre os motociclistas, grupo mais exposto nas vias, foram 426 ocorrências, com 288 vítimas, sendo três mortes. Com 131.621 habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE, Lafaiete ocupa a 20ª posição entre as cidades mais populosas de Minas Gerais, o que mantém os indicadores em patamar elevado para o porte do município.
Em 2026, a tensão não arrefeceu. Até o momento, são 264 acidentes, com 54 feridos. Nos registros que envolvem motocicletas, foram 62 ocorrências, com 44 pessoas feridas. A plataforma ainda não aponta mortes neste ano. Mesmo assim, casos recentes (ainda fora do sistema) reforçam a gravidade do cenário. No domingo, 22 de março, Alan Miqueias, de 27 anos, morreu após um acidente no bairro Santa Teresa, nas proximidades do Sion. Segundo a Polícia Militar, ele conduzia uma motocicleta Yamaha YBR quando colidiu frontalmente com um VW Gol. Com o impacto, foi arremessado a alguns metros da via.
O Corpo de Bombeiros iniciou os primeiros atendimentos e encontrou o motociclista inconsciente, com sangramento intenso na região da cabeça e em parada cardiorrespiratória. Ele foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu. De acordo com o condutor do carro, de 25 anos, o veículo seguia pela própria mão de direção quando a motocicleta teria invadido a contramão, tornando a colisão inevitável. Durante o atendimento, foi constatado que ambos os veículos estavam com a documentação irregular. Autos de infração foram confeccionados, e os veículos, liberados para custodiantes. A perícia esteve no local e liberou o trânsito após os trabalhos.
Os dados reforçam a presença constante das motocicletas nas ocorrências. Somente em 2025, 426 acidentes envolveram motos. Outro ponto que chama atenção é a concentração em determinadas vias. Entre os locais com maior número de registros estão a avenida prefeito Telésforo Cândido Resende, no coração da cidade, a rodovia BR-040, a praça Barão de Queluz, a avenida Alfredo Elias Mafuz, a rodovia MGC-482, a rua Benjamin Constant, a rua Duque de Caxias e a rua Santa Efigênia. A repetição indica áreas críticas, possivelmente ligadas ao fluxo intenso de veículos, cruzamentos complexos ou falhas na sinalização.
Perfil das vítimas e panorama estadual
O perfil das vítimas segue um padrão nacional. A maior parte dos feridos está na faixa de 18 a 39 anos, considerada economicamente ativa, com predominância de homens. Na maioria dos casos, as lesões são leves, mas há registros de ferimentos graves e mortes, sobretudo em acidentes com motociclistas. O cenário local acompanha uma tendência estadual. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Minas Gerais registrou mais de 47,8 mil acidentes com vítimas envolvendo motocicletas, sendo cerca de 7,1 mil com lesões graves ou fatais.
O estado tem mais de 2,2 milhões de motociclistas, o equivalente a aproximadamente 25% dos condutores registrados, de acordo com o Detran-MG. Entre as principais causas presumidas estão falta de atenção, imprudência, negligência e desrespeito às normas de circulação. A menor proteção estrutural das motocicletas amplia o risco de ferimentos graves em colisões. Diante desse cenário, o Detran-MG afirma investir em ações educativas voltadas principalmente aos motociclistas, com orientações sobre direção defensiva e uso de equipamentos de segurança.
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Postado por Maria Teresa, no dia 05/04/2026 - 12:06