Foto: Arquivo Jornal CORREIO
A rua Marechal Floriano Peixoto passou por um longo período de interdição por causa de uma obra que prometia resolver um problema histórico de drenagem. O que se vê agora, poucos meses após o fim desse processo, é o rompimento de um trecho da via após as chuvas de 2026, nas proximidades do viaduto da Cachoeira. E este é um sinal claro de que a intervenção anterior falhou no essencial.
O argumento de que se trata de uma galeria antiga e de um volume de água acima da capacidade explica e até justifica, mas não resolve. Obras públicas são concebidas para enfrentar cenários adversos. O problema atravessou décadas até ser encarado de frente em uma investida que não resistiu ao primeiro teste mais severo, expondo limitações de projeto, de execução ou de ambos.
Cabe ressaltar que a Marechal Floriano não é uma rua qualquer. Por décadas, organizou o fluxo urbano, sustentou parte relevante do comércio local, ajudou a definir a dinâmica do centro de Lafaiete. Então, caiu em um estado de deterioração que não se limita ao pavimento ou ao subsolo. Quem cruza essa rua tão tradicional presencia calçadas irregulares, ausência de arborização, acúmulo de sujeira e perda evidente de vitalidade econômica. E mesmo o percurso em busca da revitalização tem sido acidentado e sinuoso. Ao longo desse período, comerciantes fecharam as portas, clientes desapareceram e a rua perdeu densidade urbana.
A audiência pública do dia 24, de iniciática do Executivo, surge como um ponto de inflexão possível e não deve ser tratada como formalidade. A cidade não pode se contentar com a recuperação de um trecho ou com soluções pontuais. A Marechal exige um projeto de requalificação integral, que inclua drenagem eficiente, novo pavimento, passeios adequados, mobiliário urbano, lixeiras e arborização compatível com sua importância.
Para além de uma questão de engenharia, a reconstrução da via é uma decisão sobre o tipo de cidade que se pretende manter. Ignorar o que aconteceu nos últimos anos, tratando o episódio atual como circunstancial, seria repetir o erro. A cidade já pagou o custo de uma obra longa e, até aqui, incapaz de entregar estabilidade. Não há espaço para novos remendos, longos, dispendiosos e, ao que indicam os fatos recentes, insuficientes. O momento agora não é de revisão. Lafaiete precisa decidir se continuará corrigindo falhas ou se, finalmente, vai reconstruir uma de suas principais referências urbanas com o padrão que ela exige.
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Postado por Maria Teresa, no dia 31/03/2026 - 12:45