Foto: Edmilson Dutra
A capitão da PM, Fernanda Goulart e a jornalista Rafaela Melo no estúdio do Jornal CORREIO
Entre memórias que atravessam o tempo e sonhos que ganharam forma na farda, a história da capitão da Polícia Militar, Fernanda Resende Goulart Ferreira, é marcada por coragem, sensibilidade e propósito. Em participação na série especial CORREIO Mulher, conduzida pela jornalista Rafaela Melo, ela relembrou o início de sua jornada. A caminhada começou em 2004, quando ingressou no curso de formação de soldados, em Belo Horizonte. No ano seguinte, formou-se soldado e iniciou a atuação na corporação. Em 2006, foi aprovada no curso de formação de sargentos, tornando-se terceiro sargento e passando a integrar o 31º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo atendimento em Conselheiro Lafaiete e região, onde permaneceu até 2014.
Determinada a avançar na carreira, no final de 2014 foi aprovada no Curso de Formação de Oficiais, retornando à capital para formação entre 2015 e 2016. Após ser promovida a aspirante a oficial e cumprir o período de regimentação, voltou a atuar na área da 13ª Região. Na sequência, foi promovida a 2º tenente em 2017, a 1º tenente em 2019 e, no final de 2025, alcançou o posto de capitão, consolidando uma trajetória construída com esforço e superação. A escolha pela carreira militar surgiu ainda na juventude, durante um evento em Congonhas, quando viveu um momento de vulnerabilidade ao perder seus pertences. Ao procurar ajuda, foi acolhida por uma policial feminina, cuja atitude despertou nela o desejo de seguir o mesmo caminho. “Ali eu percebi como é importante poder ajudar as pessoas”, relembra.
Ao longo de 22 anos de carreira, Fernanda acompanhou as transformações na presença feminina dentro da Polícia Militar. Quando ingressou, apenas 5% das vagas eram destinadas às mulheres, e sua turma contava com duas alunas. Com o tempo, esse percentual aumentou para 10% no Curso de Formação de Oficiais e, atualmente, não há mais limitação. A instituição, que tem mais de dois séculos de história, só formou sua primeira turma feminina em 1981, quando as funções eram restritas a atividades administrativas. Hoje, mulheres ocupam também funções operacionais e cargos de comando em destacamentos, companhias e batalhões. Apesar dos avanços, desafios ainda fazem parte da rotina. Em algumas situações, a presença feminina é questionada, exigindo constante afirmação de capacidade. Ainda assim, a capitão destaca que o treinamento é igual para todos. “Eu tenho o mesmo preparo que qualquer policial. Sei que sou capaz”, afirma. Entre as ocorrências que mais a marcaram, estão aquelas envolvendo crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Um dos episódios lembrados foi o atendimento a um bebê engasgado, em que a ação rápida dos militares foi decisiva. Para ela, momentos como esse reforçam o sentido da profissão. O carinho das crianças também é uma fonte constante de motivação. “Quando uma criança me abraça e diz que quer ser policial, isso não tem preço”, conta.
Fora da farda, Fernanda também se dedica à família. Mãe e esposa, ela concilia a rotina intensa da Polícia Militar com a vida pessoal, enfrentando desafios diários com organização e dedicação. “Muitas vezes saio de casa para cuidar de outras pessoas, mas penso sempre nos meus filhos”, afirma, destacando o apoio familiar.
Mesmo fora do serviço, a atenção é permanente. Segundo ela, ser policial vai além do horário de trabalho. “A partir do momento em que colocamos o pé fora de casa, precisamos estar atentos”, explica. Durante a entrevista, a capitão também ressaltou a importância da Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, programa que acompanha mulheres vítimas de violência, oferecendo orientação, acolhimento e esclarecimentos sobre diferentes tipos de agressão, inclusive a psicológica. Ao final, deixou uma mensagem de incentivo às mulheres: “Nada é fácil, mas é possível. A mulher pode ser o que ela quiser. Basta acreditar, persistir e nunca desistir dos seus sonhos”. A entrevista integra a série especial CORREIO Mulher, que destaca histórias reais marcadas por força, sensibilidade e superação.
Confira a entrevista completa aqui
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 29/03/2026 - 14:20