Foto: Arquivo Jornal CORREIO
Pouco mais de seis meses do pleito eleitoral de 4 de outubro, salta aos olhos de analistas políticos locais, a insegurança e a desmobilização em torno das pré-candidaturas a deputado por Lafaiete. Neste momento, apenas dois nomes têm movimentado os bastidores políticos e falam abertamente de suas intenções. O trauma de 2022, quando a cidade que tem cerca de 100 mil eleitores, não conseguiu fazer nenhum deputado, ainda incomoda e permanece latente, impactando nas discussões, nas conversas ao pé do ouvido e, principalmente, nas tomadas de decisões.
Essa inércia num momento crucial da vida política partidária local, corrobora e fortalece a tática usada pelos chamados deputados de fora, que é a de aparecem por essas plagas apenas de quatro em quatro anos. Há ainda os parlamentares, que mesmo tendo base fixa em outras localidades, mantêm fortes laços com Lafaiete, seja através do envio de emendas parlamentares ou simplesmente por já terem atuado em outras épocas no município e se acham na obrigação de vir buscar votos aqui, como numa pescaria, onde a abundância de peixes é cada vez maior.
Diante dessa realidade tão cruel, de sermos comparados a um pesqueiro, resta-nos a mobilização, através de canais já utilizados em outras épocas, e também chamarmos os pré-candidatos à responsabilidade. No contexto atual, há o Projeto Voto Ético (Prove), que atua desde 2010, e pede votos abertamente para os chamados candidatos da terra, mas que, por razões diversas, permanece inativo e sem atuação. Por outro lado, os postulantes que já colocaram seus nomes como pré-candidatos, firmaram dobradinhas com nomes de fora, numa tentativa desesperada de conseguir votos em outras praças menos populosas.
Pode não parecer, mas o fracasso político representa o fracasso de toda uma cidade, impactando comércio, prestação de serviços e profissionais das mais diversas áreas. Embora muitos consigam romper as barreiras municipais e se destacar mundo a fora, jamais conseguem extirpar o rótulo de nascerem, morarem e trabalharem numa cidade que não consegue eleger um simples deputado estadual com seus mais de 100 mil eleitores. O fracasso de 2022 nos coloca no patamar de cidades sem identidade, sem laços afetivos e fadada ao fracasso. Por isso e muito mais, é preciso reagir antes que seja tarde e uma nova derrota eleitoral nos coloque nos anais da história como eternos fracassados. Trata-se, portanto, de uma situação que só os eleitores podem mudar.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 22/03/2026 - 15:34