Tempo em Lafaiete: Hoje: 31° - 14° Agora: 29° Quinta, 23 de Abril de 2026
Comunidade


Famílias tentam reconstruir a vida um mês após tragédia das chuvas em MG

Deslizamentos e enchentes deixaram 73 mortos na Zona da Mata Mineira



Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


Bairro Três Moinhos, um dos mais afetados pelas fortes chuvas

Um mês após as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata Mineira, milhares de famílias ainda enfrentam os impactos causados por enxurradas, deslizamentos e enchentes. O temporal, concentrado principalmente na noite de 23 de fevereiro, deixou 73 mortos — sendo 65 em Juiz de Fora e 8 em Ubá — além de milhares de desabrigados.

Os danos também se estenderam a cidades como Matias Barbosa, deixando um rastro de destruição em diversas comunidades. Em meio às perdas, histórias de dor e resistência marcam o cotidiano dos moradores. Uma delas é a de Cláudia da Silva, de 71 anos, moradora do Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora. Ela relata ter perdido 20 familiares na tragédia. A região, localizada em uma encosta, concentrou o maior número de mortes no município. Após semanas, o luto deu lugar a um cenário ainda mais difícil. Cláudia afirma enfrentar abalo emocional e buscou atendimento psicológico por conta própria. Um sobrinho sobrevivente, de 16 anos, permanece internado em estado grave após amputar uma perna.

Mesmo com a casa interditada pela Defesa Civil, ela optou por permanecer no local ao lado da mãe, de 85 anos. “Temos medo, não dormimos direito e nos sentimos abandonadas”, relata. A rotina também mudou drasticamente para a aposentada Maria da Conceição Couto Almeida, de 62 anos. Moradora da mesma comunidade, ela passa as noites na casa da filha, mas retorna diariamente ao imóvel interditado para limpeza e manutenção.

Segundo ela, a situação tem afetado a saúde da família. O marido faz tratamento cardíaco, enquanto Maria enfrenta agravamento da ansiedade e dificuldades no controle da diabetes. Apesar de ter sido cadastrada pela prefeitura, afirma ainda não ter recebido apoio financeiro ou habitacional.

O serralheiro Nilton Angelo de Gusmão, de 60 anos, relata prejuízos financeiros após semanas sem trabalhar. Ele perdeu contratos e diz enfrentar dificuldades para pagar contas básicas. “Precisamos de ajuda para conseguir recomeçar”, afirma.De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, o auxílio calamidade municipal será depositado nas contas das famílias cadastradas a partir do dia 23 de março.

Desde o início das chuvas, foram registradas 6.690 ocorrências no município. Fevereiro de 2026 foi o mês mais chuvoso da história da cidade, com 763,8 mm de precipitação. Mais de 8,5 mil pessoas ficaram desabrigadas, e mais de mil moradias foram completamente destruídas.

Em Ubá, a prefeitura informou que está oferecendo abrigo, alimentação e acompanhamento psicológico às famílias atingidas. Cerca de 4,7 mil pessoas foram impactadas pelas enchentes, e mais de mil famílias ficaram desalojadas.Já em Matias Barbosa, mais de 300 famílias foram afetadas, além de grande parte do comércio local. O município estuda a criação de auxílio financeiro para moradores e comerciantes atingidos.

O governo federal informou ter destinado quase R$ 2 bilhões em recursos para ações emergenciais e de reconstrução. Entre as medidas estão o Auxílio Reconstrução, de R$ 7,3 mil por família, e programas habitacionais para quem perdeu a casa.Apesar das ações anunciadas, moradores ainda enfrentam dificuldades no dia a dia e cobram mais agilidade no apoio. Um mês após a tragédia, a reconstrução segue em andamento, marcada por desafios e pela busca por recomeço.

Fonte: Agência Brasil




Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383


Postado por Rafaela Melo, no dia 22/03/2026 - 12:31


Comente esta Notícia