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Região


Economia regional cresce, mas falta quem trabalhe nela

Mercado não abraça da mesma forma os dois extremos: jovens sem experiência e maduros sem espaço



Foto: Marcos Kadore


Esse contraste foi um dos pontos centrais da 3ª edição do Correio Entrevista, que foi ao ar na terça-feira, dia 7

A economia da região vive um impasse: cresce à sombra das grandes indústrias, mas não consegue formar a mão de obra que o próprio crescimento exige. Esse contraste foi um dos pontos centrais da 3ª edição do Correio Entrevista, que foi ao ar na terça-feira, dia 7, e está disponível no canal do Jornal CORREIO no YouTube. Conforme projetam os prefeitos Leandro Chagas (Lafaiete), Danilo Albuquerque (Queluzito) e Sávio Fontes (Ouro Branco), o futuro econômico da região depende de dois movimentos complementares: qualificar sua população e diversificar sua base produtiva. Outra observação feita é que a dificuldade de inserção no mercado de trabalho tem se concentrado nos extremos etários — jovens em busca do primeiro emprego e profissionais acima dos 50 anos. Para o prefeito de Ouro Branco, Sávio Fontes, enfrentar esse desequilíbrio exige repensar a estrutura econômica. O município está criando uma Unidade de Desenvolvimento Econômico para abrigar mais de 50 pequenas e médias empresas, abrindo espaço para o primeiro emprego e a reinserção profissional. “Precisamos diversificar a base produtiva e criar oportunidades para quem mais precisa”, afirmou.

Sávio também alertou para a ‘fuga’ de trabalhadores do comércio local para as grandes indústrias, o que tem pressionado pequenos empreendedores. O desafio, segundo ele, é conciliar a força da siderurgia com o fortalecimento dos setores de serviços e comércio, que garantem dinamismo cotidiano à economia. Ele destacou ainda que os feirões de emprego realizados em Lafaiete e Congonhas já ofertaram mais de 1.500 vagas e devem ganhar novas edições voltadas a trabalhadores mais experientes. Entre os jovens, cresce o desejo de empreender em vez de buscar vagas nas grandes corporações e Sávio vê nesse movimento uma oportunidade de transformação. Para aproveitar esse potencial, o município firmou parcerias com o IFMG e a Gerdau para criar hubs de inovação e incentivar startups e negócios de base tecnológica. “O empreendedorismo é a chave para romper nossa dependência histórica da indústria pesada”, avaliou.

A falta de trabalhadores qualificados, no entanto, ainda é o principal freio da expansão industrial. O prefeito de Queluzito, Danilo Albuquerque, descreveu um cenário em que a região cresce, mas não consegue absorver os benefícios do próprio crescimento. “Temos recebido profissionais de outros estados e até de fora do país. Isso mostra que o avanço industrial não tem sido acompanhado por investimentos em formação técnica”, disse. Para ele, a resposta passa por políticas conjuntas de capacitação e emprego. “São necessárias ações integradas entre os municípios. Não adianta apenas formar, é preciso garantir oportunidades reais de trabalho.”

Fortalecimento regional
O debate também apontou a importância de uma atuação coordenada entre as cidades do eixo Lafaiete–Ouro Branco–Congonhas. Na avaliação dos prefeitos, o desenvolvimento econômico da região depende de planejamento compartilhado, que envolva desde transporte e infraestrutura até educação profissional. Danilo Albuquerque defendeu a criação de consórcios e programas intermunicipais voltados à geração de emprego e renda, enquanto Leandro Chagas reforçou a necessidade de políticas complementares para manter os investimentos circulando na própria região.

Valorização do que é da terra
Em Lafaiete, o prefeito Leandro Chagas vê nos eventos esportivos e culturais um motor silencioso de crescimento. Citou eventos de Mountain Bike, que reúne cerca de dois mil ciclistas e movimenta o comércio, a hotelaria e os serviços. “Esses eventos vão além do lazer. Eles geram renda, estimulam o turismo e fazem a economia girar”, afirmou.

Leandro Chagas também defendeu que o fortalecimento do comércio e do empreendedor local é uma forma concreta de promover desenvolvimento sustentável. “É fundamental que os gestores continuem apoiando e reconhecendo os talentos da nossa terra, pois são eles que geram emprego, renda e fortalecem a economia da região.” Segundo ele, a circulação interna de recursos é o que garante autonomia produtiva e reduz a dependência de grandes corporações.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 18/10/2025 - 18:44


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