Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A aposentada, atriz e modelo Shirley de Toro, de 62 anos, é um exemplo de como a musculação pode impactar positivamente a saúde.
A prática regular de musculação não só contribui para o aumento da força e resistência física, mas também desempenha um papel crucial na proteção do cérebro de idosos, prevenindo o avanço de demências. Um estudo inovador conduzido pelo Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (Brainn) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) revelou que o exercício físico pode beneficiar diretamente a saúde cerebral. A pesquisa, publicada na revista GeroScience, analisou 44 idosos com comprometimento cognitivo leve (CCl), estágio intermediário entre o envelhecimento normal e a doença de Alzheimer. Os participantes foram divididos em dois grupos: um que praticava musculação duas vezes por semana e outro que não se exercitava. Após seis meses, os resultados indicaram que os idosos que realizaram a atividade física apresentaram preservação do hipocampo e do pré-cúneo, áreas cerebrais associadas ao processo de envelhecimento e às demências.
Além disso, os pesquisadores identificaram melhorias na substância branca, fundamental para a comunicação entre neurônios. O impacto positivo foi observado em metade dos participantes do grupo ativo, sugerindo que a musculação pode retardar os efeitos do envelhecimento cerebral e, em alguns casos, reverter sintomas do CCl. A primeira autora do estudo, Isadora Ribeiro, doutoranda da Fapesp na Unicamp, destacou que, no grupo que praticou musculação, todos os indivíduos experimentaram avanços significativos na memória e na estrutura cerebral. Curiosamente, cinco deles não apresentaram mais sinais de comprometimento cognitivo leve ao final da pesquisa. A equipe de pesquisadores também usou exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos para comparar os índices de atrofia cerebral entre os participantes. A redução do volume cerebral é uma característica comum em pessoas com perdas cognitivas, e a musculação demonstrou ser uma ferramenta eficaz para prevenir esse processo. Com o aumento da prevalência de demências no Brasil — atualmente cerca de 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais convivem com essas condições, número que deve dobrar até 2050 — os pesquisadores alertam para a importância de se adotar hábitos saudáveis para a saúde cerebral. Entre os fatores que contribuem para o risco de demência estão hipertensão, diabetes, obesidade e inatividade física.
A aposentada, atriz e modelo Shirley de Toro, de 62 anos, é um exemplo de como a musculação pode impactar positivamente a saúde. Com um histórico de epilepsia e um acidente sério, ela começou a se exercitar há 17 anos, buscando fortalecer o corpo e melhorar sua qualidade de vida. Desde então, os benefícios da musculação foram evidentes, especialmente após um atropelamento que causou sérias lesões. Shirley relata que, durante a pandemia de Covid-19, os exercícios físicos ajudaram a manter sua saúde mental, e ela segue praticando regularmente para melhorar o bem-estar físico e psicológico. Especialistas, como Alessandra Nascimento, técnica do Sesc de São Paulo, enfatizam que os benefícios da musculação para a saúde mental e física são cada vez mais reconhecidos. Antigamente, acreditava-se que os idosos deveriam praticar atividades mais suaves, como hidroginástica, mas estudos recentes mostraram que exercícios de força são essenciais para preservar a saúde muscular e cerebral. A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas que promovam o acesso à atividade física para a população idosa, como a inclusão de profissionais de educação física nas unidades de saúde.
Fonte: Agência Brasil
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 01/04/2025 - 15:20