Copa do Mundo tem um efeito curioso. Basta o campeonato se aproximar e tudo ganha versão temática: combo do jogo, desconto especial, sorteio, camisa oficial, promoção relâmpago e aquela oferta que parece ter sido feita exclusivamente para você.
E vamos combinar: o brasileiro gosta de uma boa promoção.
O problema é quando o marketing tenta fazer mais dribles do que o próprio camisa 10.
Nem toda oferta é gol de placa
Imagine a cena.
Você vê uma propaganda anunciando um desconto “imperdível” para o período da Copa.
Corre para aproveitar a oportunidade e, no final da compra, aparecem taxas inesperadas, regras escondidas ou condições que não estavam tão claras assim.
A sensação é quase a mesma de comemorar um gol impedido.
E é justamente aqui que entra o Direito do Consumidor.
Publicidade não pode enganar
O Código de Defesa do Consumidor permite publicidade — e isso é importante deixar claro.
Empresas podem anunciar, promover produtos e aproveitar o entusiasmo dos grandes eventos.
O que não pode é enganar.
Informações confusas, omissões importantes ou promessas que não correspondem à realidade podem transformar uma campanha publicitária em problema jurídico.
Porque propaganda criativa é uma coisa.
Propaganda enganosa é outra bem diferente.
Atenção às letras pequenas
Quem nunca ouviu a famosa expressão: “o problema mora nas letras miúdas”?
Durante a Copa, promoções costumam vir acompanhadas de regras específicas, prazos e condições de participação.
Por isso, antes de clicar no “comprar”, vale conferir:
• prazo da promoção;
• existência de taxas adicionais;
• condições para desconto;
• regras de troca ou cancelamento.
Ler pode não ser tão emocionante quanto assistir aos jogos, mas costuma evitar muita dor de cabeça depois.
E quando a propaganda cria expectativa?
Existe um detalhe importante.
Publicidade não serve apenas para chamar atenção — ela também cria expectativa legítima no consumidor.
Se a empresa promete determinada condição, benefício ou preço, essa informação integra a oferta e precisa ser respeitada.
Em outras palavras: promessa de campanha não deveria valer só em época de eleição.
Entre o marketing e o bom senso
A Copa movimenta paixão, audiência e bilhões em publicidade.
É natural que marcas aproveitem esse momento para se aproximar do público.
Mas entusiasmo esportivo não pode virar licença para confundir consumidores.
Porque, no jogo do consumo, transparência também merece levantar a taça.
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Escrito por Maria Victória, no dia 10/07/2026
Dra. Maria Victória de Oliveira R. Nolasco
Advogada
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